quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Uma morte, um sonho, um sorriso

14 de novembro de 2012

Embora ainda me questione sobre o porque eu devia me importar, outra parte de mim diz: "Isso é, de certa forma, lindo". Ainda que alguém tenha morrido há tanto tempo e quase ninguém lembre ou se importe, eu lembro, eu me importo, eu faço de conta que teve a ver comigo. Mas não teve.
Embora eu sonhe inúmeras vezes que esses meros fatos triviais signifiquem algo maior, lá dentro eu sei: "É tudo fruto da imaginação".
Talvez eu sonhe com o dia que alguém diga: "Você teve a ver com ele, você tem motivos, você pode se importar", não me incomodaria se mentissem assim para mim. "Uma mentira, um sorriso, uma verdade, uma lágrima". Uma lágrima que eu não tenho o direito de deixar rolar.

Pseudo-crônica

14 de novembro de 2012

21 pessoas na sala, 23 comigo e o professor. 22 de mais de 60 alunos. Mais da metade da sala faltou.
Passado o temido Enem, não sou mais obrigada a vir à escola, então por que estou aqui? Estou praticamente sozinha, já que os 21 não se enquadram no grupo que eu poderia chamar de "amigos", são meros colegas de classe, talvez menos que isso, não ligam para o fato de eu estar aqui. Então por que vim? Para escrever uma pseudo-crônica sobre o porque vim para a escola? Eu poderia estar dormindo. Poderia estar vendo TV ou navegando na internet. Aqui não faço nada. Não faço nada? Mas o que estou fazendo agora? Com certeza, se estivesse em casa às 7:54 da manhã não estaria escrevendo. Nem às 7, nem à qualquer outra hora.
Por algum motivo, a escola me inspira a escrever, mesmo com muitas vozes sem sentido ecoando pelo espaço onde me encontro. Mesmo achando que entre esses 21 rostos alguém está pensando "O que ela está fazendo?". Não me importo. Ficarei até o fim, ainda se os 21 e mais alguns forem embora antes do tempo.

O "Móbile Fantasma"

Essa é uma história verídica. Aconteceu aproximadamente às 4 da manhã do dia 21 de novembro de 2012 (hoje).
Acordei assustada com um barulho de bater de asas. A princípio pensei que fossem as cortinas da janela balançando com o vento, mas ao olhar percebi que elas permaneciam totalmente paradas. Olhei para o ventilador, que estava fraco. De repente pulei da cama ao ver o que agora descrevo como "móbile fantasma". Algumas bolinhas transparentes e outras formas giravam pelo ar juntas no que parecia ser o formato de um guarda-chuva. Olhei para cima para ver se estava sendo segurado por alguma corda e raciocinei rapidamente que aquilo não poderia estar no meu quarto. Um pensamento súbito de "Por quê minha mãe colocou isso aí?" passou pela minha cabeça. Mas o "móbile" era transparente. "Não pode ser real, vou morrer?" pensei.
Já me disseram que você vê estrelas pouco antes da morte. Aquilo não era estrelas, mas eu não podia deixar de classificar como um sinal do além vindo me buscar. Quando comecei a realmente ter medo o tal "móbile" simplesmente desapareceu. Saí do quarto quase em pânico e fui até a janela da cozinha sem nenhum motivo aparente. A luz do sol já brilhava lá fora e algumas pessoas já encontravam-se dispostas. Vi movimento na sala, mas não fui olhar o que poderia ser. Resolvi acreditar que a janela estava aberta e o vento batia em alguma coberta que poderia estar no sofá. Não me darei ao trabalho de confirmar se estou certa.
Assim que vi meus pais se mexerem no quarto deles, fui contar o que tinha acontecido. Como se esperava, minha mãe não acreditou e meu pai disse que era Jesus me protegendo. Assim espero.