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quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Gota

Ela não sabia ao certo quando nascera, mas sabia seu objetivo. Junto às outras gotas d'água na parede molhada do banheiro, ela deveria ser a mais rápida e ganhar a corrida até o chão, que a carregaria para o ralo. Ela estava em dúvida se juntava-se à outra gota durante a descida ou permanecia sozinha. Demoraria mais para chegar se ficasse em sua solidão? 
Vendo as colegas no azulejo amarelado, lembrou de quando estavam juntas e eram um só. Desde a pequena à maior das gotas, até a água que descia pelo ralo, um dia fez parte dela. Que mal haveria juntar-se à uma das outras? Mesmo que sua vitória fosse apenas sua, não seria de todas assim que chegasse ao chão? De tanto pensar perdeu-se no tempo e não percebeu que lá vinha outra gota juntar-se à ela. Em menos de um segundo as duas eram uma. Uma única gota a descer. Devido o impulso do encontro ela chegou mais rápido ao chão e espalhou-se pelo piso. Já não era mais gota, era toda a água. Descia do chuveiro, chegava até o chão e ia embora pelo ralo. Era importante e descartável. Era tudo o que estava ali.

sábado, 16 de fevereiro de 2019

Coração de Diamante Azul (Blue Diamond Heart)

Era uma vez uma pequena vila com muitos habitantes. Alguns deles eram muito conhecidos, outros não. Alguns deles eram legais, outros não. Mas cada um deles tinha um diamante azul no coração. Alguns deles amavam seus diamantes azuis, outros não. Alguns deles não queriam seus diamantes azuis, outros tinham sonhado com seus diamantes azuis por muito tempo. Alguns deles nasceram com seus diamantes azuis, outros deles receberam seus diamantes azuis mais tarde na vida. Mas tinha uma garotinha em uma pequena casa, com uma pequena família que não tinha seu diamante azul. No começo ela não se importava muito, pois sabia que todos ganhavam seus diamantes azuis em algum momento na vida, mas ela sempre sonhava com o dela. Ela imaginava como ele seria. Se ele seria bonito, se ele seria grande, como caberia no seu coração... Então os dias passaram e sua mãe lhe disse que havia mandado uma carta para os anjos pedindo seu diamante azul. Ela ficou tão feliz que mal podia se conter, foi ao seu quarto, pegou papel e lápis de cor e começou a desenhar seu diamante azul. Ela desenhou da melhor maneira que pode, não tão grande, não tão pequeno, não tão pontudo e um pouco brilhante, como ela sempre achou que seu diamante azul seria. Mas ela sabia que não importava a aparência dele, ela o amaria de qualquer forma. Chegou o momento e um anjo foi enviado do céu para entregar seu diamante azul, mas o anjo se perdeu e voltou antes que pudesse encontrar sua casa. Um segundo anjo foi enviado com outro diamante azul e o entregou para uma casa próxima. A garotinha ficou confusa. Não era a hora dela ganhar seu diamante azul? Ela esperou e esperou, mas ele nunca veio. Quando ela viu o outro diamante azul, mesmo não sendo o dela, ela ainda o achou familiar... Não era tão grande, nem tão pequeno, não tão pontudo e um pouco brilhante e todos se juntavam para ver o novo diamante azul ali perto e apreciar sua existência. A garotinha sem diamante azul, que não era mais pequena, sempre era encorajada a gostar do diamante azul que não era dela, mas parecia com o dela, a gostar do diamante azul e de seu dono. E mesmo que ela não fosse má e tentasse ao máximo, ela não conseguia. Ela sentia que o outro diamante azul tomava o lugar do seu diamante azul, que ela nunca recebeu, e ela sempre se perguntava por que ela não podia ter seu diamante azul mesmo com a existência do outro. Com o tempo todos esqueceram que a garota não tinha um diamante azul, mas ela não. Então ela cresceu triste. Ela nunca teve um diamante azul, mas sentia falta do seu como se tivesse o tido e ninguém conseguia entender. Conforme o tempo passava e a garota queria fugir para parar de ver as pessoas que a lembravam seu diamante azul, ela conheceu outras pessoas que nunca tiveram seus diamantes azuis também. Alguns deles não se importavam, outros se importavam um pouco e alguns estavam magoados como a garota. Eles esperaram muito por seus diamantes azuis, mas eles nunca vieram.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Exílio

Cheguei à noite trazida pelo vento. As árvores balançavam com o meu andar. Eu carregava uma sacola cheia de coisas. Me mandaram entrar, mas eu já estava lá dentro. Eles não sabiam. A noite parecia nunca ir embora. Ninguém se sentia livre. As regras nos perseguiam todos os dias. Mas ninguém queria sair de lá.
Uma menina de cabelos longos e negros se aproximou com dois amigos. Dois garotos. Eles tinham quase a minha idade. Eu não sabia o nome de ninguém, esquecia se ouvia, mesmo que ouvisse se esquecesse. 
-Damian! -eu disse para um deles enquanto conversávamos sobre assuntos que não eram permitidos lá dentro. Eu não tinha certeza sobre o nome do garoto, mas se não acertei ele não se importou. Damian ou Daniel? Eu o chamei de Damian mesmo assim. Ele se aproximou de mim de um jeito que disse nunca ter se aproximado de uma garota. Mas de garotos talvez... Eu não me importei. A menina ficou com raiva. Não falou mais comigo. Não me interessava, Damian estava lá. Era como se a vida tivesse sido devolvida à mim. Eu não tinha medos, não tinha inimigos, não ligava, não estava preocupada. Feliz, talvez?
O que seria aquilo? Uma figura de chapéu chegou para se juntar à nós. Fui buscá-lo. Era a norma. "Não deixe que se perca! Você é mais capacitada!" Me vi do lado de fora novamente, trazendo o homem para nosso convívio. Qual seria o problema dele? Todas as noites eternas ele se sentava e nos olhava em nossas pequenas liberdades pelo pátio coberto de árvores molhadas por chuvas passageiras. O frio era seu amigo. Ele nos protegia. Mas não pode nos livrar do que veio em seguida. Denunciados talvez pela garota de cabelos negros enciumada, Damian e eu fomos chamados por pessoas acima de nós exigindo explicações. Explicações que não conseguíamos dar. Ninguém queria sair de lá, mas não éramos mais ninguém, éramos nós e não nos importamos. Seguimos no deserto. Maryl, a menina de cabelos negros nos olhou de longe fugindo da liberdade.

10 de fevereiro de 2017

sábado, 30 de agosto de 2014

Sonhos no Papel

Aos 12 anos decidi escrever os sonhos que eu tinha durante a noite, como havia feito aos 9 anos durante os últimos meses de 2003.
Criei então um livro, entitulado Paraíso dos Sonhos e dividi cada sonho em um pequeno capítulo com título próprio.
O primeiro sonho foi escrito em 17 de outubro de 2006 em apenas 5 linhas com o título "Muitas TVs", o que foi a base para os vários seguintes.
Escrevi 90 sonhos no período de um ano, sendo o último escrito em 13 de outubro de 2007, entitulado "Charlie Sheen".
Hoje reli alguns desses contos mágicos e separei os mais longos e interessantes do primeiro caderno de sonhos e também do segundo, que foi entitulado Portal dos Sonhos e seguiu os mesmos caminhos do primeiro. Algumas historias são:

De Paraíso dos Sonhos:
Misturando Tudo
Casa Nova
Guarda-Roupas Mágico
Pequenos Gatinhos: o meu ou o seu?
Morte de Todos
Johnny Johnny Johnny Depp Depp Depp
Acho que eu amo o Freddie
Música do Além
Eu quero ser a filha perdida
Volta às Aulas
De Graça Grátis
Tesouro Escondido
Revivendo um Passado que Nunca Voltará
Um Segredo Guardado Durante 3 Anos
Enlouquecendo, matando gente... Quem sou eu?
Poderia ser pior?
Dando-me as costas
Menina má
Voando no céu?
Quer ser minha amiga?
Ele não me ama
Desventuras em Série
Pesadelos
Sem Dentes
Molhadas
Festa de Halloween
e Charlie Sheen

O outro livro, Portal dos Sonhos foi escrito entre 18 de outubro de 2007 e 1 de outubro de 2008. O título da primeira história foi Amizade é o que Conta, e os contos foram encerrados com a historia número 127: Se ingerir tomar água. .. após 30 minutos. Aqui estão os títulos:

De Portal dos Sonhos:
Amizade é o que Conta
A Mansão da Bruxa
Amanda que vem com perfuminho
Assassinato
Em um Mundo de Sonhos
A Inveja Mata um Inocente
Futura Nova Campeã de Vôlei Feminino
Back to the Future Mania
Super Interessante
Rapto
Nally Endemoninhada
Confusão no Tempo
Minhas Fitas
Um Dia Muito Louco
O Cadáver da Mary-Kate
Perdendo a Hora
Se fosse fácil assim...
Mamãe Assassina
Falta de Memória
Melhor Amiga de uma Fanning
Daniella Cartwright em Scrubs
Uma Nova Amiga
Oi Johnny Depp
O Gato Invisível
Fontes de Energia
Um Garoto de Hollywood
Duas Camas
Eu não vou atrás dele
Cadê a mamãe? Achou!
As muriçocas de Crispin Glover
Todo Mundo tem um Amigo de Louisiana
Heather O'Rourke
Sem ao Menos Dizer "Tchau"
Um Episódio de Bob Esponja Calça Quadrada
O Estranho Armário de Dany
Elijah Wood
Chicken Corn
Como será possível?
Isso não é justo!
Tentando te Encontrar
Minha Culpa, Minha Grande Culpa
Fazenda Amaldiçoada
Meu Terrível Pesadelo
No Orfanato
Meu nome é Judy Flaherty
e Acontece tanta coisa em uma só noite!

Publicarei as histórias mais interessantes a partir de hoje. (:

terça-feira, 23 de julho de 2013

"Luto Secreto"

Eu sempre me envolvo mais do que deveria...

Há alguns anos descobri algo que me deixou em choque por semanas. Mesmo sendo facilmente classificado como bobagem, o fato de meu personagem favorito desde os 3 anos ter tido 2 dubladores e eu nunca ter notado era, para mim, algo importante e um assunto a ser discutido constantemente.
Como eu nunca percebi? Eu me recusava a notar? Por que sempre foi fácil para mim identificar e diferenciar vozes de dubladores, mas não pude fazer isso com o personagem que eu mais gostava do filme que eu mais gostava?
Bom, talvez eu simplesmente tivesse ignorado o fato devido à esperança ilusória de que meu filme favorito fosse real. Depois que cresci, não havia motivo para não saber quem era o dublador do Woody. Até porque seria bem mais normal ser fã de uma pessoa que de um desenho animado. Mas ao obter a resposta que procurava, deparei-me com algo que jamais imaginei e que só pensei na possibilidade em meus piores pesadelos. Pesadelos aqueles que haviam se concretizado muito antes de eu se quer pensar que poderia acontecer.
Conhecendo os dois dubladores do simbolo da minha infância, não pude evitar de ter uma preferencia, o que foi a causa de minha decisão tardia e muito pensada sobre nunca mais tocar no assunto. Eu preferi aquele que havia deixado esse mundo. Não foi uma escolha, simplesmente aconteceu.
Depois de conhecer Alexandre Lippiani o máximo que pude, e por máximo eu digo, procurar por ele em quase todos os sites que eu conhecia, e stalkear a filha dele no facebook (nunca vou te perdoar por não ter me aceitado, Julia!), me tornei fã dele. No inicio era uma fã normal cujo o ídolo havia morrido, colecionando fotos e vendo vídeos, tentando lembrar de fatos da própria vida do tempo em que ele ainda habitava a Terra. Ele era alguém que não me conhecia e que não era, de nenhuma forma, próximo à mim (exceto pelas falas totalmente decoradas de Toy Story). Depois de ter algumas revoltas controladas por sua morte prematura, acreditei ter me acostumado totalmente à ideia de que o melhor dublador que meu Woody já teve havia deixado esse mundo para sempre (sem querer menosprezar o trabalho do Marco Ribeiro, que ficou tão perfeito que eu nunca diferenciei a voz dele da do Alexandre, obrigada Marco). Não fosse o meu querido Facebook e as páginas sobre dublagem que eu curto, minha aceitação teria sido eterna.
Encontrar fotos do Alexandre Lippiani na internet foi o trabalho de pesquisa mais árduo que eu já tive de fazer, logo, encontrar fotos dele na internet por acaso, isto é, sem estar procurando, era, no mínimo, impossível! Por isso me espantei ao vê-lo na minha timeline. Fiquei feliz, alegre e satisfeita, pois reclamava constantemente de que as pessoas não lembravam dele. Li os comentários, alguns de pessoas que o conheceram, e passei a considerá-lo ainda mais, mas nada foi como no dia em que Guilherme Briggs escreveu sobre ele.


O que li foi tão tão inesperado que não pude conter as lágrimas. Por muito tempo senti vontade de perguntar para o Guilherme se os dois eram amigos, ou pelo menos um pouco próximos, mas nunca achei que ele fosse responder. Nem foi preciso, a resposta acabou vindo até mim duas vezes. Na segunda ao vivo. Ele falou do Alexandre na minha frente, enquanto eu segurava a câmera com as mãos trêmulas e tentava não chorar e acabar estragando tudo.

Pelo contato relativamente próximo que tive/tenho com conhecidos dele, percebi que a tragédia de tê-lo perdido, por mais horrível e inaceitável que fosse não dizia respeito a mim de nenhuma maneira. Woody ficou órfão de dublador por 2 anos, mas eu era só a garotinha que alugava a mesma fita de vídeo todos os finais de semana. Então, por que chorar? Por que me importar? Por que sentir? Não havia lógica alguma.
Minha decisão de não falar sobre ele havia sido tomada meses antes, mas eu precisava fazer algo mais profundo, precisava esquecê-lo completamente. Uma tarefa nada fácil considerando as toneladas de páginas escritas sobre ele nos meus cadernos e diários. Eu precisava me livrar de pelo menos uma parte das milhares de coisas que havia escrito. Decidi deletar alguns dos comentários que fiz nas mídias sociais e, ao abrir meu querido Facebook para concretizar meu triste plano, encontrei... uma foto dele na primeira página! Foi o suficiente para me fazer mudar de ideia. Não que eu tenha interpretado tudo como uma espécie de aviso (inclusive a música Don't You Forget About Me (Não Se Esqueça de Mim) ao fundo), tomei apenas uma decisão menos "brutal". "Mantenha seu luto em segredo, não conte nada a ninguém, não peça ajuda nem que doa demais, um dia vai passar", e foi o que fiz. Nenhuma palavra sobre ele será arrancada de mim, nem com muita insistência a não ser que eu resolva falar. Apenas saiba que eu ainda me importo, sempre vou me importar, de uma maneira ou de outra. Alexandre Lippiani é, e sempre será, o dublador do Woody no meu país, meu ator brasileiro preferido, alguém que passou brevemente pela minha vida e fez minha infância feliz.
"Então brinque direito!"

sábado, 30 de março de 2013

Mais complicado do que parece

Eu nunca pensei que escrever fosse tão difícil! Você tem toda a história na cabeça, início, meio e fim, mas as vezes fica complicado contar, e ainda escrever todos os detalhes. As vezes esqueço que as pessoas não vão simplesmente imaginar tudo do mesmo jeito que eu. Agora estou escrevendo uma história que criei quando tinha 12 anos. Na verdade eu já havia escrito antes em 2007, mas não ficou muito boa. Acredito que a nova versão esteja infinitamente melhor, mas não sei se é digna de que outras pessoas leiam, e pior, de que gostem. Resta continuar a escrever mantendo a mesma linha, mas descrevendo mais os personagens. os lugares e a história em si, coisa que eu não fiz em 2007.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Uma história de uma história... (redação de 2007)

3 de abril de 2007

A mocinha ficou super hiper ultra mega triste, nem queria viver mais. Então resolveu ir embora daquele lugar. Ela foi tentar se adaptar na cidade grande. Por mais que ela tentasse conseguir algum emprego ela falhava sempre e sempre. Até que ela cansou e tomou um outro rumo. Ela saiu do estado e foi para um vizinho, onde conseguiu um ótimo emprego de empregada para se sustentar.
Na casa onde a moça trabalhava havia um rapaz bem bonito. Eles se apaixonaram e se casaram. Tiveram dois lindos filhos, uma menina e um menino. O menino sempre tirava boas notas na escola, ao contrário da menina que sempre era reprovada.
Nossa história segue com o menino que se formou e se tornou um professor de universidade. Se apaixonou por uma de suas alunas, se casaram e tiveram uma filha. Que por sua vez virou uma bailarina famosa. Se apaixonou por um mágico de circo, casaram, tiveram um filho. Ele cresceu e ficou mendigando pelas ruas até chegar numa pequena cidadezinha. Onde encontrou o amor de sua vida. Casaram e tiveram três filhos, uma menina e dois meninos.
Continuamos com o filho do meio, em suas voltas ele virou o presidente dos Estados Unidos Abraham Lincoln.



10 de dezembro de 2012

Só tenho a dizer: KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK' e mais nada!

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Uma morte, um sonho, um sorriso

14 de novembro de 2012

Embora ainda me questione sobre o porque eu devia me importar, outra parte de mim diz: "Isso é, de certa forma, lindo". Ainda que alguém tenha morrido há tanto tempo e quase ninguém lembre ou se importe, eu lembro, eu me importo, eu faço de conta que teve a ver comigo. Mas não teve.
Embora eu sonhe inúmeras vezes que esses meros fatos triviais signifiquem algo maior, lá dentro eu sei: "É tudo fruto da imaginação".
Talvez eu sonhe com o dia que alguém diga: "Você teve a ver com ele, você tem motivos, você pode se importar", não me incomodaria se mentissem assim para mim. "Uma mentira, um sorriso, uma verdade, uma lágrima". Uma lágrima que eu não tenho o direito de deixar rolar.

Pseudo-crônica

14 de novembro de 2012

21 pessoas na sala, 23 comigo e o professor. 22 de mais de 60 alunos. Mais da metade da sala faltou.
Passado o temido Enem, não sou mais obrigada a vir à escola, então por que estou aqui? Estou praticamente sozinha, já que os 21 não se enquadram no grupo que eu poderia chamar de "amigos", são meros colegas de classe, talvez menos que isso, não ligam para o fato de eu estar aqui. Então por que vim? Para escrever uma pseudo-crônica sobre o porque vim para a escola? Eu poderia estar dormindo. Poderia estar vendo TV ou navegando na internet. Aqui não faço nada. Não faço nada? Mas o que estou fazendo agora? Com certeza, se estivesse em casa às 7:54 da manhã não estaria escrevendo. Nem às 7, nem à qualquer outra hora.
Por algum motivo, a escola me inspira a escrever, mesmo com muitas vozes sem sentido ecoando pelo espaço onde me encontro. Mesmo achando que entre esses 21 rostos alguém está pensando "O que ela está fazendo?". Não me importo. Ficarei até o fim, ainda se os 21 e mais alguns forem embora antes do tempo.

O "Móbile Fantasma"

Essa é uma história verídica. Aconteceu aproximadamente às 4 da manhã do dia 21 de novembro de 2012 (hoje).
Acordei assustada com um barulho de bater de asas. A princípio pensei que fossem as cortinas da janela balançando com o vento, mas ao olhar percebi que elas permaneciam totalmente paradas. Olhei para o ventilador, que estava fraco. De repente pulei da cama ao ver o que agora descrevo como "móbile fantasma". Algumas bolinhas transparentes e outras formas giravam pelo ar juntas no que parecia ser o formato de um guarda-chuva. Olhei para cima para ver se estava sendo segurado por alguma corda e raciocinei rapidamente que aquilo não poderia estar no meu quarto. Um pensamento súbito de "Por quê minha mãe colocou isso aí?" passou pela minha cabeça. Mas o "móbile" era transparente. "Não pode ser real, vou morrer?" pensei.
Já me disseram que você vê estrelas pouco antes da morte. Aquilo não era estrelas, mas eu não podia deixar de classificar como um sinal do além vindo me buscar. Quando comecei a realmente ter medo o tal "móbile" simplesmente desapareceu. Saí do quarto quase em pânico e fui até a janela da cozinha sem nenhum motivo aparente. A luz do sol já brilhava lá fora e algumas pessoas já encontravam-se dispostas. Vi movimento na sala, mas não fui olhar o que poderia ser. Resolvi acreditar que a janela estava aberta e o vento batia em alguma coberta que poderia estar no sofá. Não me darei ao trabalho de confirmar se estou certa.
Assim que vi meus pais se mexerem no quarto deles, fui contar o que tinha acontecido. Como se esperava, minha mãe não acreditou e meu pai disse que era Jesus me protegendo. Assim espero.